Parelheiros – Manancial de águas fétidas e de ar impróprio

Por  Silvano
Se eu perguntasse a você, qual o lugar que tem o ar mais limpo? Parelheiros, Móoca, Aeroporto, ou qualquer outro bairro de São Paulo, incluindo o centrão?
Certamente você diria Parelheiros certo? Pois é!
Hoje, pela manhã só um bairro de toda a Grande São Paulo tinha as condições de ar ruins. Parelheiros.
Toda a cidade estava com o ar respirável, inclusive a Praça da Sé. Só Parelheiros não se podia respirar.
Fiquei Impressionado? Não. Afinal, vemos rios piscosos que se tornam esgotos em poucas semanas com anuência de todos.
Matas que se vão, por brecha em lei.
Condomínios ou Centros de turismo pseudo poderosos que transforma matas em estradas ou loteamentos sob o aval da lei.
Vemos poda de árvores urbanas mais frequentes que o serviço de “Cata-Bagulho (e Joga onde?)”.
O tapete que esconde a sujeira do crescimento da cidade, já não é mais verde.
Um cinza escuro cor de piche, corta o tapetão verde adornando com cheiro de escapamentos do país inteiro que vêm engarrafar por aqui.
É por cima de nossas cabeças que milhões de veículos estacionam nesse engarrafamento constante que é o Rodoanel.

Todos sabíamos disso. Sabemos que Parelheiros logo perderá suas reservas florestais e sobrarão apenas algumas reservas que alguns proprietários não conseguirão desmatar, ou por ideologia solitária a deixarão de pé.
Aqueles que se aventurarem em manter uma pequena mata, sofrerão diariamente com os moradores do entorno saqueando ou jogando lixo em sua propriedade, jogando entulho, esgoto e tudo aquilo que a cidade não quer mais. É fato!
Logo _e põe logo nisso_ até as placas das APAs serão “desmatadas” para dar lugar a um empreendimento ou para construir um novo barraco em área invadida com anuência de algum vereador intolerante.
Os mananciais de águas, verterão enxofre, alumínio e cloreto de metila para a Guarapiranga que ao invés de aninhar diversas aves migratórias, terá apenas urubus migratórios, atraídos pelo cheiro fétido de decomposição que exalará em dias tórridos.
A onça magra estampada nos impressos públicos, já assustada e faminta, estará vagando por vielas a procura de galinhas de despacho, até virar tapete na sala de alguém.

O que me espanta_ e me espanta mesmo_ é que a notícia de inversão da qualidade do ar acontece sob a morbidez de todo mundo.
Nem Cetesb, nem Dersoanel, nem aqueles que levam a bandeira ambiental como promessa de campanha, nem os que outorgam constantemente essas intervenções ou se anulam quando deviam impedir.

Enquanto mata e água não virar dinheiro em vez de empecilho nessa região miserável, estaremos sempre na mira implacável do crescimento avassalador, da cidade e seus administradores.
Tem horas em que não dá pra sentir qualquer outro sentimento a não ser o de deploração.

Silvano – Projeto Mais Verde
www.projetomaisverde.xpg.com.br