o que não existe é tempo pra sofrer.

Ele arrumava meu cabelo de manhã, me levava para a escola, comia meu lanche no caminho e me buscava antes do almoço.  Os dias eram sempre os mesmos, chegando em casa meu avô estava lá esperando com o almoço pronto, “a louça é sua” os dois gritavam.

Eu sempre fui apaixonada por ele. Sempre foi meu orgulho, minha razão para seguir, em todos os momentos era nele que eu pensava. Era por ele que eu acordava cedo, deixava o toddy dele pronto, fazia pão na chapa e queimava o dedo. Ia para escola e ficava me gabando, afinal, eu tinha o amor mais lindo e verdadeiro do universo.

Pra ele meu amor, minha dor, meu sorriso e minhas lágrimas de crocodilo quando queria um favor. Tipo grana, e claro, era por isso que eu sempre lavava a louça. Afinal, uma mão lava a outra.

Passava a roupa dele com a maior delicadeza de quem quer acabar logo e brincar no quintal, com a inchada do avô fingindo ser da roça. 

Uma vez derrubei ele da laje, ele pediu uma coisa, eu joguei e o idiota pulou para frente e caiu. Eu ri, corri e acabei presa por 3h dentro do banheiro, se não fosse a vontade do meu avô de fazer xixi, podia estar lá até hoje.

Engraçado como o amor transforma a gente, até meus 5 anos eu era palmeirense, depois ele me convenceu e até hoje sou corinthiana roxa!

Eu sempre fui completamente apaixonada pelo meu irmão, e que se dane se ele fez um monte de merda na vida, que se dane mesmo. Todo mundo erra, todo mundo faz merda, mas não deixam de ser felizes. E ele sempre foi, do modo dele, no tempo dele e da forma que ele escolheu ser. 

Que se dane se as pessoas falam dele, só eu sei o que foi me desfazer de algo tão bom. Eu tenho a impressão que as pessoas não conheciam meu irmão como eu, dentro de casa, com suas dores, com seus olhares distantes, sofrendo por amor, sofrendo por não ter tido um filho ainda, por ter perdido meu avô e por fazer parte de um mundo todo quadrado.

Ele sempre escondeu de mim que usava substâncias não aprovadas pela sociedade “moderna antiquada”, mas eu sabia, sempre soube e nunca julguei meu irmão por isso. Eu sacava o olhar distante e o medo de viver do modo convencional que ele tinha. E por mais que as pessoas não acreditem meu irmão era puro de alma e de coração, não há uma pessoa que eu conheça que não goste dele e do que ele representou no mundo.

Adorador de criança, fofoqueiro nato, colocava apelido ruim até em cachorro, vivia intensamente e não atrapalhava a vida de ninguém, e o melhor, era feliz! Tinha o mundo em suas mãos.

No dia que ele se foi senti uma solidão imensa, era como se tivessem tirado meu ar. Fui tomada por um amor que enfim consegui sentir. Eu era de novo aquela menina de 7 anos pendurada no pescoço dele pedindo para sair com ele e dar uma volta no bairro. Eu era de novo a irmã mais nova que entrou na faculdade, escreveu um texto para o diário oficial do município e depois de entregar o impresso em suas mãos todo o bairro soube que eu era finalmente uma jornalista com algo registrado.

No dia que ele resolveu ir embora, eu pensei “o filho da puta fodeu a minha vida, como será agora?”, eu estudei 4 anos para trabalhar e viver pra ele, pra cuidar dele, o plano era esse e ele não entendeu. 

Depois de um tempo consegui escrever e entender o que houve, mas pra mim não importa, a maior herança deixada pelo meu irmão foi sua felicidade e o modo livre que ele vivia. Foi sua coragem de viver sem pensar no que as pessoas falavam, sem se privar de ser o que era, sem medo. Ele foi um laço amarrado no coração, que ainda está lá, bem mais apertado que antes, bem mais firme.

O meu irmão, meus caros, sempre foi e sempre será o grande amor da minha vida. Eu sinto tanta falta dele, mas agora entendo…

É a vida, meus caros…

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Amigos dão sorte – Sergio Vaz

Grande e brilhante, Sérgio Vaz! 

Segue crônica linda e emocionante do poeta…

São só 17.520 dias, parece pouco, porém de onde venho chegar nesses números são muito importantes. Nada a ver com numerologia, mas com sobrevivência. Nasci contra a vontade dos astros no vale do Jequitinhonha, norte de Minas Gerais, o lugar mais pobre do mundo. Dois irmãos não tiveram a mesma sorte. Minha mãe era negra, meu pai continua branco.
De forma irônica, a parteira que ajudou minha mãe a dar a luz tinha um olho só, mas com espírito iluminado, disse que eu era um bitelão. Era um vinte seis de junho de mil novecentos e sessenta e quatro, inverno no sudeste, as vinte e uma horas e trinta minutos, do signo de câncer. Um dia como outro qualquer, tanto é, que às vezes, até eu esqueço.
Cresci sem bolo, sem vela de aniversário, sem pedidos, sem brinquedos e sem desmerecer ninguém, durante muito tempo o travesseiro foi meu melhor amigo. Ele era triste também. Aprendi a dizer a verdade com ele. Mentir é coisa minha.
Sem sono passei muitas noites tentando enganar carneirinhos. Contava de dois em dois.
Dormir doía, assim como a vida.
Demorei pra gostar de viver e tinha uma tristeza que me visitava até mesmo nos dias de alegria. Por conta disso, aprendi a sorrir com economia. Quando dei por mim, por conta do desuso, alguns dentes me abandonaram. Deixava pra rir aos domingos.
Não tinha nem oito anos vi um homem morto caído nas garrafas dentro de um bar. Ele tinha um buraco na testa. Durante muito tempo achei que os fantasmas que me adotaram saíam dali. Daquele buraco. Não senti pena. Nem medo. Nem inveja.
Achei esquisito como a morte se apresentou pra mim, assim, dessa forma tão violenta. Tão estúpida.
Como naquela época morria muita gente assim, com buracos no corpo, acharam por bem fazer um cemitério onde meu time jogava bola. Se já não bastassem os meus fantasmas…
Quando o asfalto chegou tatuando as ladeiras, descia de carrinho de rolimã rindo como se fosse feliz, como se fosse outro. Não sei por que, mas o carinho do vento deixava a gente besta.
Tinha um amigo que morava num barraco de madeira que ria também. Uma vez, eu e ele, fizemos um carrinho com pedaços da sala da mãe dele.
Um dia, cansado de bolinha de gude e empinar pipa em dias sem vento, a maça do amor lambeu meu coração. Achei que estava doente. Tão desacostumado com a alegria, chorei de felicidade. Eram lágrimas doces. Não é coisa de poeta, eram doces mesmo. Meu travesseiro chorou também. Foi a primeira vez que a vida me sorriu.
Não lembro mais do rosto dela. Ela tinha todos os dentes, mas era eu quem ria pelos dois. 
Como ria naquela época.
Nesse tempo em que achava que era feliz comecei a trabalhar todos os dias: Sábados, domingos e feriados.
Anestesiado pelo amor não percebi a tristeza fazendo sombra no meu sol. Quando ele se foi, o amor, trabalhar me ensinou o valor da liberdade. Sem saber onde era Palmares fiquei ali por doze anos.
Então, passei a amar com mais frequência, para esquecer a labuta. Por solidariedade alguns amigos iam brincar comigo enquanto no trabalhava. Na senzala, Nelson Mandela começou a fazer sentido pra mim. Zumbi também.
Ainda por cima servi o exército, então não era uma, mas sim, duas senzalas. Um escravo para duas senzalas. Meu irmão fugiu. A escrava Isaura levava uma vida bem melhor que a minha. Ainda por cima ela não tinha que estudar. Era branca. E novela, por mais longa que seja, tem hora pra acabar. Pra mim todo bar tem um pouco de navio negreiro.
Lia os livros como quem foge das galés. Cada remada, um livro. Cada livro um continente. Gabriel Garcia Márquez me ensinou a não ter medo de oceanos. Neruda, a amar e despedir. Clarice, atalhos para o coração. Quintana, a ser moleque. Gullar, a sujar o poema.
Lendo Victor Hugo descobri que já não era escravo de ninguém. De nada. Só de mim mesmo.
Cansado da banda de Chico, “fim de semana no Parque Santo Antônio” dos Racionais me pegou à toa na vida. 
Analfabeto, escrevi alguns poemas que viraram livros. No lançamento fiz frango frito com salada de maionese. Isso já faz vinte anos. Ou, sete mil seiscentos e quarenta e cinco dias.
Por gostar das coisas certas, quase sempre fiz tudo errado.
Ser simpático me deixava bonito, mas foi a antipatia que me trouxe beleza.
Numa fábrica sobre ruínas ajudei a construir um sonho que tinha, sem saber que tinha. 
Logo em seguida, o sarau, que ensinou outras pessoas a gostarem de poesia, na periferia paulistana. 
Tem gente que voltou a estudar só para aprender a escrever poemas. 
Foi no sarau que conheci o seu Lourival, Dinho Love e Dona Edite. E mais um bando de gente sem noção da realidade. Gente que sonha enquanto faz. Um povo lindo e inteligente.
Voltei a sorrir no lugar que me fazia chorar. Outro dia soltamos mais de quinhentas bixigas no ar, todas com poesia. 
Aprendi a joelhar e pedir perdão.
Tem dias que o sarau tem mais de duzentas pessoas ouvindo e falando poesia. Outras pessoas também escreveram livros na quebrada. Tem gente que não gosta de mim por causa disso. Outras já gostam. Vai entender. 
Engraçado, de tanto sofrer acabei fazendo outras pessoas felizes.
Uma vez uma estava sorrindo distraidamente e uma pessoa me perguntou por que, naquele tempo não sabia, agora eu sei. O amor me deu uma mulher e uma filha. Família me deixa feliz. A felicidade tem dívidas comigo, por isso não faz mais do que a obrigação me manter alegre e satisfeito. 
Mesmo feliz estou sempre revoltado.
Michael Jackson faz um ano que morreu. Gostava mais dele quando era preto. Lá pelos anos setenta, quando eu era triste também. Sabia dançar, agora… 
Perdi alguns amigos que não sabiam que gostava deles. Devia dito quando eles estavam vivos.
Não acredito em vida após a morte. Gosto de risco de desaparecer.
Está a maior garoa lá fora. Faz frio também. Dias de frio são bons para remoer lembranças.
Meu aniversário cai sempre na época de frio. Por isso careço de abraços. E de fogueiras.
Não sei quem me disse que estou ficando velho, desconfio que seja o contrário. 
Apesar dos cabelos que começam a embranquecer estou aprendendo a ser jovem, mas quando corro não da pra disfarçar que passei dos quarenta.
Sabia que de vez em quando eu fico rindo sem saber por quê? Deve ser riso represado. 
Rir é da hora. 
E o destino não é confiável. 
Gosto de rir com amigos. 
Falando em amigos… Tenho alguns. Inimigos também.
Amigos são pessoas que a gente escolhe pra sorrir com a gente. Pode até chorar, mas tem que rir também.
Descobri com o passar dos dias que amigos dão sorte. Mesmo os azarados.Queria agradecê-los. Como eu disse, são 17529 dias. 

Sozinho ia não ia ter a menor graça.

*do livro “Literatura, pão e poesia” Global Editora

cutuco.

Um final de semana realmente histórico.

A lua estava realmente linda como previu os sites um dia antes, a poesia era linda, as vozes e as conversas sobre um passado não distante, mas que criou histórias e pessoas. A casa é nova e linda, mas tem o cheiro da minha infância e o mesmo amor de quando eu tinha apenas 10 anos. A cerveja estava gelada, mas continuo sendo a mais nova das quatro.

Dividimos histórias, problemas, sonhos, conquistas, bordões, besteiras e o mesmo quarto. Entendi que a gente vai em frente, sua, rala, batalha, cai, tropeça, escorrega, muda a direção, se perde no tempo, esquece o rumo. Durante a vida, os sonhos vão mudando. Só não podemos desistir, nunca.

Dos amores, não falei, não tive coragem de falar dos meus fracassos na área. Quem sabe na próxima, quem sabe. Ou não, vai saber se no meio do caminho eu não encontro o príncipe de barbas para esquecer as vontades de matar amores e passar sabores.

Que amar é isso: “é sempre amor, mesmo que mude, é sempre amor, mesmo que alguém esqueça o que passou”. É isso, os primos são irmãos, irmão de sangue, de alma, de olhar, de carinho, amor, amizade. São aqueles que deixamos de ver durante 10 anos, mas quando o encontro acontece é intenso e verdadeiro, porque é sempre amor, sempre.

O passado te mostra o quanto as pessoas mudaram e isso é eternamente bom. Mostra o gosto das conquistas do presente e te faz acreditar no futuro. Te faz sentir muita saudade das brincadeiras de crianças, da vida que não tinha horário, reunião, contas e final de semana de trabalho…

Enfim, dias incríveis. Estarei aqui torcendo, rezando, lembrando, sorrindo de longe e cutucando vocês. Afinal, irmão ou irmã temos que amar incondicionalmente, certo?

E sentir saudade é bom…

anseios e angústias de um passado, que passou…

E 2012, finalmente, começou!

Lembrei dessa foto e pensei no que passou, nessa época, nos meninos, o que eles são hoje, o que foram, o que significaram…

Pensei no meu irmão, pois foi ele que me deixou aqui como em uma cena de filme, que depois de uma briga um dos dois se vai e deixa o outro no meio da calçada sem palavras e sem ação. Ele foi e não me deixou falar, não me deixou ouvir mais e nem disse o que queria dizer. Ainda não entendo e há de existir uma explicação lógica para esse lance de perder pessoas, mas se não houver nunca vou entender e aceitar…

Não há de existir outro sorriso, outro olhar ou outra voz rouca como aquela, não há…

Do passado? Não tenho o que reclamar, mas só tenho anseios e angustias de um passado que já passou…

Título (opcional)

mais uma de Joana…

 

Lembram da Joana? Ela voltou…

Joana caminha todos os dias até o parque e sempre vê alguém conhecido, muitas vezes pessoas desagradáveis…

Outro dia Joana encontrou alguém que tirou seu sono, aliás, a fez sonhar como há tempos não sonhava, mesmo achando aquilo ridículo e sem sentido, Joana continuou a caminhada e alimentou seus sonhos…

Enfim, ela deixou passar e depois de muito tempo teve um sonho estranho, daqueles que nunca se esquece quando acorda. Ela sorriu de manhã e achou aquilo uma bobagem, afinal, não podia isso dar mesmo certo, será?

Joana nunca mais encontrou o tal homem, mas um dia após o retorno das férias ela o encontrou por acaso e agora não sabe o que pensar e não sabe como agir…só sabe que sonha com ele e que tem vontade…

Acho que da última vez que falei de Joana não disse nada sobre o que pensa sobre o amor, disse? Acho que não…

Bom, Joana teve algumas pessoas de passagem na sua vida e amor mesmo, nunca sentiu. Mas sempre gostou de coisas estranhas e sem sentido. Sim, essas são as suas favoritas. Não diria pessoas feias, mas diferentes, sabe?

Ela gosta de homens mais velhos, que ensinam e que tem barba, das grandes, claro!

Joana ainda sonha em andar nas nuvens, sabe? Ela está progredindo no aprendizado, e logo mais estará onde sempre deveria estar…

Uma coisa é certa ela está crescendo e aprendendo a ser feliz sozinha!

Boa sorte com esse cara estranho Joana, ficamos esperando notícias suas…=)

p.s. a música de Mallu ai encima resume bem, pois cada um sabe o que traz tal felicidade prometida. Fora que Joana aprendeu a gostar dessa mocinha por estes dias…

O meu amor por você…

Talvez hoje essa frase pareça um clichê, talvez pareça, mas só enquanto eu respirar eu vou me lembrar de você, só…

Mas hoje só quero falar o que sei e tudo que senti até hoje, tudo que o mundo me deu nessas últimas semanas…

Perdi a coisa mais valiosa da minha vida, a pessoa que me ensinou que, sim, na vida temos que caminhar com a liberdade que desejarmos, a pessoa que me fazia rir e que brigava comigo…

O irmão que todo mundo queria ter, o corinthiano mais apaixonado que já existiu, a pessoa que tinha a palavra certa nas horas mais terríveis…

Ele era uma criança inocente, um adolescente qualquer sem sonhos só vontades próprias de quem espera o dia amanhecer e vive intensamente, era o personagem no meio dos amigos, o cara mais gentil e apaixonado pela vida, o galanteador das mulheres feias, o adorador de pessoas…

Não houve um só dia nessa vida que ele não sorriu, que ele não falou que me amava, que ele me deu bronca por algo que fiz de errado…

Minhas escolhas eram feitas com ele, a minha vida era dele, afinal, irmão mais velho obedece quem tem juízo, não é?

Tivemos o avô mais lindo e mais amoroso de todos, e agora se é que isso existe de verdade eles estão juntos…

A real é que não me conformei ainda, não acredito e não vou acreditar nunca, não acho justo…

Mas hoje a saudade tá aqui comigo e como doi perder um pedaço da vida, como é ruim tentar esquecer e viver sem…

Vou me lembrar de tudo, das risadas, do ciúme, da sua vida que era sempre inventada na hora, dos apelidos, da sua cara de criança quando queria pedir alguma coisa, do seu sorriso e da sua história…

Obrigada por existir na minha vida e não tem graça nenhuma você ter ido embora assim…

Te amo…e como é grande o meu amor por você!